Vo deve estar se perguntando para que cargas d’água alguém visitaria um local com uma história tão pesada. Visitar um campo de concentração é revisitar um momento histórico do qual jamais poderemos esquecer. É um exercício duro, porém necessário a todos. Em dias tão cheios de discursos de ódio, conhecer o que o ódio é capaz de fazer não somente nos abre os olhos, como nos aponta para qual direção não devemos ir.

O Campo de Concentração de Dachau foi o primeiro a ser aberto na Alemanha pelo regime nazista, inaugurado em 22 de março de 1933 sob o comando de Theodor Eicke. Por ele foi desenvolvido um plano organizacional com regras detalhadas, que posteriormente se tornaram válidas para todos os campos de concentração. Também de Eicke veio a ideia de um campo de concentração em duas áreas: o campo de prisioneiros cercado por uma variedade de instalações de segurança e torres de guarda e a chamada área de comando do campo com prédios administrativos e quartéis para as SS.

Após algum tempo Theodor Eicke foi nomeado para o cargo de Inspetor Geral dos Campos de Concentração e transformou o Campo de Concentração de Dachau em um modelo para os demais.

Sob a máxima escrita no portão de entrada do Campo: “Arbeit macht frei”, ou em português, “O trabalho liberta”, Dachau foi erguido como um campo de concentração para o trabalho. Inicialmente eram levados para o campo inimigos políticos ou baderneiros. Foi apenas a partir de 1935 com a criação das Leis de Nuremberg (conjunto de leis que defendiam o sangue e a honra alemã) que as pessoas passaram a ser perseguidas pelo que elas eram: pessoas diferentes do povo alemão. Para o campo não foram levados somente judeus, embora esses fossem a maioria. Ciganos, religiosos, testemunhas de jeová, inimigos da antiga União Soviética, deficientes físicos, imigrantes e outros fizeram parte daqueles que foram perseguidos pelos nazistas.
O campo permaneceu em funcionamento de 1933 até 1945, sendo o primeiro campo a ser aberto e também o primeiro a ser resgatado pelas tropas americanas no final da guerra. Durante todos esses anos as pessoas trabalharam até a exaustão, foram torturadas, passaram fome, frio e, consequentemente, mortas. Poucos sobreviveram aos horrores que aconteciam dentro do Campo. Um deles foi o artista plástico Nandor Glid, cuja família quase toda foi morta em Auschwitz e cuja obra de arte está exposta  atualmente no Memorial de Dachau:

Obra de arte feita por Nandor Glid, ex-prisioneiro do Campo de Concentração de Dachau.

Desde a década de 60 o campo tornou-se um memorial em homenagem àqueles que por lá passaram e também como a lembrança de um momento da história da humanidade para o qual nunca mais deveremos voltar.

O memorial aberto à visitação é dividido em: o pátio da chamada, a prisão do campo, os galpões de moradia dos prisioneiros, o museu central, o crematório velho, o crematório novo com a câmara de gás (cujo uso foi apenas para testes), as quatro capelas criadas para homenagem dos que passaram pelo campo (judaica, protestante, católica e ortodoxa russa) e o cemitério.

Aconselho reservar cerca de 4h para conhecer o local, pois além da história ser densa, o campo é bem grande.

Caso você queira conhecer o local, seguem as informações importantes:

Horário de Funcionamento: Diariamente de 9h às 17h. Exceto dia 24/12.
Entrada: Gratuita.
Estacionamento: 3€ para carros e 5€ para ônibus.
Guia de áudio em diversos idiomas, incluindo português: 4€

 

Como chegar ao Campo de Concentração utilizando o transporte da cidade?

Tomarei como ponto de partida a estação Central de Munique (Hauptbahnhof), considerando que a maior parte dos trens passa por ela e é um ponto conhecido por todos. Na estação central de Munique você deve pegar o trem (S-Bahn) na direção Petershausen ou Altomünster e descer na estação Dachau Bahnhof (estação central de Dachau). Isso levará cerca de 25 minutos. Ao sair da estação, ainda na mesma calçada, você verá um ponto de ônibus cuja numeração é 726  com uma placa escrita “Richtung KZ-Gedenkstätte”, ou seja, direção Memorial de Dachau. Você descerá do ônibus na estação “KZ-Gedenkstätte”, atravessará para o lado oposto ao ponto de ônibus e estará no memorial.

A primeira construção à esquerda  ao entrar no campo de concentração é a Central de Atendimento ao Turista, onde você pode solicitar o audio-guide. Na central encontram-se a recepção, a livraria do Campo, os banheiros e uma lanchonete.

Atenção: Como Dachau é uma cidade um pouco mais distante, você deve comprar o ticket de transporte que compreende 8 anéis do plano da cidade, chamado München XXL.

Espero que as dicas te auxiliem na viagem!

Seja sempre bem-vindo por aqui!

Um abraço,
Os Farofas.

  abc


Os farofas

No final do ano de 2016, mais especificamente no mês de outubro, nos mudamos para a cidade de Munique, na Alemanha. Deixamos para trás alguns planos e trouxemos outros na bagagem. Dois Farofas Na Alemanha​ é uma página para falar da nossa experiência vivendo pela primeira vez fora do país, o contato com a nova cultura, as estranhezas, as descobertas, os sentimentos, a comida, as curiosidades e tudo mais que envolve o dia-a-dia de dois expatriados que carregam no peito e na vida a farofada que é o Brasil. Seja muito bem-vindo por aqui! Daiane e Hébert

1 Comment

Greyce Carvalhas · December 28, 2018 at 10:58 am

Concordo com o que você disse : é realmente um momento dificil visitar lugares como este, até mesmo museus da resitência, mas é necessario!
bjo

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